Poesia Palaciana

Quando as cantigas medievais e os trovadores deixaram de existir em meados do século XIV, a poesia quase desapareceu por cem anos. Surgiu então a poesia palaciana, que diferentemente das cantigas trovadorescas (cantadas e dançadas), era composta por redondilhas, não possuía acompanhamento musical e era lida ou declamada. Os poemas faziam o uso consciente de rimas, ritmos bem marcados, ambiguidades, jogos de palavras, aliterações e figuras de linguagem. Abaixo, seguem exemplos de poesia palaciana, dos poetas Aires Teles e Conde de Vimioso.

Meu amor tanto vos quero,

que deseja o coração

mil cousas contra a razão.

Porque, se vos não quisesse,

como poderia ter

desejo que me viesse

do que nunca pode ser?

Mas conquanto desespero,

e em mim tanta afeição,

que deseja o coração.

(Aires Teles)

Meu amor, tanto vos amo,

que meu desejo não ousa

desejar nenhuma cousa.

Porque, se a desejasse,

logo a esperaria;

e, se eu a esperasse,

sei que vos anojaria.

Mil vezes a morte chamo,

e meu desejo não ousa

desejar-me outra cousa.

(Conde Vimioso)

Fazendo a análise dos poemas, podemos perceber que o amor cortês do trovadorismo se junta às influências do poeta humanista italiano Petrarca, com sua concepção amorosa imaterial e inacessível. Contudo, na mesma época surgiu uma forte onda de sensualismo, vinda do interesse pela cultura pagã, como deixa claro o primeiro poema.

Acima vemos uma música que corresponde aos ideais humanistas: O homem, o “eu” no centro. Dentre outros assuntos, está retratada a auto-estima. Percebamos também que há a presença da fé e da religião, uma vez que a música fala da fé em um “Deus Maior”, que tem poder e faz coisas extraordinárias, assim como na época que o ideal humanista surgiu.

Individualidade e egocentrismo

“A mania de se achar o centro de tudo esconde grandes medos: de se saber quem é realmente, de se bastar, de se doar para algo maior e de assumir as próprias deficiências. Faz a gente usar os outros de acordo com nossa conveniência e ainda se achar muito bom. As pessoas demoram a entender que cada um tem um raio de ação e um papel e que ninguém é mais importante. Cada um é muito importante naquilo que seu ser “se especializou”, naquilo que seu ser soube crescer. Mesmo um líder, um comando, só é bom em sua especialidade se souber servir ao grupo que representa. Ser líder não é ser melhor que ninguém, é apenas ter mais talento para enxergar e diferenciar para o bem comum o talento dos demais. Em resumo, de alto à baixo na hierarquia, somos todos servidores uns dos outros, e de nós mesmos também. Peças de um cenário maior.”

 −  Benjamin, leitor do blog Arauto do Futuro, debatendo a individualidade e o egocentrismo.